A coragem de defender até o fim: absolvição no Tribunal do Júri após 14 anos de processo.
- Felipe Xavier

- 25 de nov. de 2025
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Foram quatorze anos de angústia, silêncio e resistência. Quatorze anos em que a sombra da dúvida tentou se impor sobre a verdade, em que o tempo passou carregando consigo a dor de quem foi injustamente acusado, mas que, ainda assim, jamais deixou de proclamar, com firmeza e dignidade: “Não fui eu.”

Durante doze desses anos, tive a honra e a responsabilidade de caminhar ao lado deste homem, que respondia por acusações injustas de homicídio consumado e homicídio tentado, envolvendo pessoas que sequer conhecia. A cada audiência, a cada petição, a cada ato adiado, uma mesma convicção nos acompanhava: a certeza de que a verdade, ainda que tardia, não poderia sucumbir ao erro.
No dia 14/08/2025, no Tribunal do Júri de Cuiabá, ao lado do valoroso colega Giovane de Albuquerque, pudemos sustentar, mais uma vez, a tese que ecoava desde o início das investigações. E, enfim, a justiça se fez ouvir. A verdade rompeu o silêncio que por anos tentou abafá-la.
Ao ouvir a história de vida daquele que ali se encontrava na posição de réu, homem sem qualquer mácula em sua trajetória, de conduta ilibada e dignidade incontestável, e ao vê-lo amparado por sua família, que jamais vacilou em sua confiança ao longo de todos esses anos, o próprio Ministério Público reconheceu que um erro judiciário havia sido cometido.
E, então, sem hesitação, veio o veredicto que pôs fim a uma longa travessia de dor, medo e injustiça: absolvição.
Não se tratou apenas de um resultado processual. Tratou-se da restituição da dignidade, do resgate da honra, do direito de voltar a respirar sem o peso de uma acusação que jamais deveria ter existido. A absolvição não apagou o tempo, mas devolveu a paz. Não apagou as marcas, mas devolveu o sentido da justiça.
Este caso é, antes de tudo, um testemunho. Testemunho da força de quem não se curvou à injustiça. Da coragem de quem suportou o olhar da suspeita sem permitir que a mentira lhe roubasse a essência. E, sobretudo, do compromisso inabalável de uma defesa que jamais se afastou, mesmo quando o caminho parecia longo demais.
A advocacia criminal é, muitas vezes, solitária. Exige firmeza onde há medo, serenidade onde há desespero e coragem onde há descrença. Permanecer ao lado do cliente é um ato de humanidade. Defender até o fim é um dever. E acreditar na verdade, mesmo quando ela parece esquecida, é o que transforma o exercício da profissão em missão.
Porque justiça não é apenas uma palavra escrita em mármore. Justiça é resistência. É convicção. É presença. E, acima de tudo, é a certeza de que nunca se deve desistir de quem confia em você para defender sua liberdade.
Por Felipe Eduardo de Amorim Xavier
Advogado Criminalista
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